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A Construção Social de Estatísticas da Educação

Vivemos atualmente numa "sociedade métrica" (Mau, 2019). Nesta "era da medição" (Biesta, 2009), emerge um "regime numerocrático de podersaber" (Angermüller, 2010) que interpreta, examina e controla a sociedade através de práticas e "dispositivos" (Foucault, 1994) tecnológicogovernamentais cada vez mais baseados na medição e na quantificação. Este fenómeno, impulsionado por uma explosão da cultura da auditoria, pela intensificação da recolha, produção e análise de dados numéricos e pelas capacidades transformadoras das tecnologias da informação, abriu caminho a um novo panoptismo, não espacial, multicêntrico e de finalidades múltiplas e abertas (Hamman, 2020). Esta cultura de medição, que está em expansão, tem tido um impacto profundo nas práticas e nos processos educativos: dos rankings aos "terrores da performatividade" que lhes estão associados (Ball, 2003) até ao papel desempenhado pelas Avaliações Internacionais de Grande Escala (ILSAs) na definição das políticas educativas, do currículo e da pedagogia. Ao questionar as origens, a produção e as implicações dos números na educação, este projeto procura esclarecer os processos e as dinâmicas de poder que os constituem. A relevância do projeto pode ser aferida tanto pela escassez de atenção académica aos fundamentos sociais das estatísticas educativas como pela necessidade de uma compreensão mais profunda da forma como estes números são gerados e utilizados nas instituições e políticas educativas. Assim, perguntamos aos números: como foram produzidos? Como é que se chegou a esses números (e não a outros)? Em última análise, pergunta-se: como é que as estatísticas e a sociedade se constituem mutuamente?

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